14 maio 2026

Vitória elimina o Flamengo no Barradão e expõe fragilidades do elenco rubro-negro na Copa do Brasil

O Clube de Regatas do Flamengo viveu uma noite amarga no Barradão. Mesmo chegando com vantagem após vencer o jogo de ida por 2 a 1 no Maracanã, o Rubro-Negro foi derrotado por 2 a 0 pelo Esporte Clube Vitória nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, e acabou eliminado na quinta fase da Copa do Brasil pelo placar agregado de 3 a 2. Erick e Luan Cândido marcaram os gols da classificação baiana diante de mais de 30 mil torcedores em Salvador.

A eliminação teve contornos particularmente preocupantes para o time comandado por Leonardo Jardim. Embora o Flamengo tenha terminado a partida com ampla superioridade em posse de bola e volume ofensivo, a equipe voltou a demonstrar enorme dificuldade contra sistemas defensivos compactos e sofreu novamente em transições defensivas. O Vitória foi eficiente, disciplinado taticamente e cirúrgico nos momentos decisivos.

O ambiente no Barradão pesou. O Vitória jogou com intensidade emocional elevada, sustentado pela pressão da torcida e por uma estratégia muito clara: reduzir espaços internos, acelerar os contra-ataques e explorar os corredores laterais do Flamengo. O plano funcionou quase perfeitamente.

Introdução

O jogo começou em ritmo intenso, e o Vitória abriu o placar logo aos sete minutos do primeiro tempo. Erick recebeu de Baralhas na entrada da área e acertou um chute de canhota no ângulo de Agustín Rossi, sem qualquer possibilidade de defesa. O gol mudou completamente o cenário psicológico da partida, pois igualava o confronto agregado em 2 a 2.

A partir daí, o Flamengo assumiu o controle territorial do jogo. O time carioca teve mais posse de bola, finalizou mais vezes e empurrou o Vitória para trás durante longos períodos. No entanto, o domínio foi majoritariamente estéril. Faltou profundidade, criatividade entrelinhas e maior agressividade no último terço do campo.

No segundo tempo, quando o Flamengo tentava intensificar a pressão ofensiva, o Vitória encontrou o golpe fatal. Aos 16 minutos, após bola levantada na área, Rossi espalmou parcialmente e Luan Cândido aproveitou a sobra para finalizar de voleio e marcar o segundo gol da equipe baiana.

Mesmo com alterações ofensivas e pressão final, o Flamengo não conseguiu furar o bloqueio montado por Jair Ventura. O goleiro Lucas Arcanjo também teve atuação decisiva, especialmente em cabeçada de Bruno Henrique e finalizações de Luiz Araújo.

Desempenho Individual

Entre os destaques positivos do Flamengo, Bruno Henrique foi o jogador mais participativo ofensivamente. Movimentou-se bastante, venceu disputas aéreas e criou as melhores oportunidades rubro-negras, embora tenha desperdiçado chances importantes. Luiz Araújo também tentou acelerar o jogo pelos lados e produziu volume ofensivo.

Jorginho teve boa circulação de bola e tentou organizar o meio-campo, mas sofreu com a falta de aproximação entre os setores. Samuel Lino apresentou intensidade, porém foi irregular nas tomadas de decisão.

No setor defensivo, Alex Sandro teve dificuldades na recomposição e participou negativamente em lances de transição defensiva. Emerson Royal oscilou entre boas chegadas ofensivas e problemas na cobertura. Danilo e Léo Pereira sofreram especialmente com a velocidade dos ataques baianos.

Agustín Rossi não teve culpa direta nos gols, mas voltou a demonstrar insegurança em bolas aéreas e rebotes. Já Jorge Carrascal fez partida discreta e pouco influente na criação ofensiva.

Pelo lado do Vitória, Erick foi o nome do jogo. Além do golaço marcado, participou intensamente da pressão ofensiva e criou desequilíbrios constantes. Luan Cândido teve atuação extremamente sólida defensivamente e ainda marcou o gol da classificação. Lucas Arcanjo foi decisivo com intervenções importantes.

Análise Tática

O Flamengo iniciou a partida em estrutura próxima do 4-2-3-1, com Jorginho e Evertton Araújo centralizados, Carrascal como articulador e Bruno Henrique mais móvel no ataque. O problema central foi a lentidão na circulação ofensiva e a dificuldade de ocupar os espaços entre as linhas defensivas do Vitória.

O time baiano, comandado por Jair Ventura, adotou postura reativa extremamente disciplinada, alternando momentos de bloco médio e bloco baixo. O Vitória fechava o corredor central e forçava o Flamengo a cruzamentos laterais previsíveis.

O primeiro gol nasceu justamente de um erro estrutural na recomposição defensiva rubro-negra, com liberdade excessiva para Erick finalizar da entrada da área.

No segundo tempo, Leonardo Jardim tentou aumentar o peso ofensivo da equipe com as entradas de Pedro, Everton e Guillermo Varela. O Flamengo passou a ocupar mais a área adversária, mas ficou ainda mais vulnerável aos contra-ataques.

O segundo gol do Vitória nasce exatamente dessa desorganização pós-perda. Após jogada aérea, Rossi rebateu mal, e Luan Cândido apareceu livre para concluir.

O número de finalizações ilustra bem a dinâmica do confronto: o Flamengo terminou com 23 chutes, sendo 8 no gol, contra apenas 6 finalizações do Vitória, com 4 certas. A diferença esteve na eficiência.

Arbitragem

A arbitragem de Raphael Claus teve atuação relativamente segura do ponto de vista disciplinar, embora alguns lances tenham gerado forte reclamação dos jogadores do Flamengo.

Houve pedidos de pênalti envolvendo Bruno Henrique e Samuel Lino, além de reclamações por possíveis toques de mão dentro da área do Vitória. Claus optou por mandar o jogo seguir em todos os lances, e o VAR não recomendou revisão.

O critério disciplinar foi razoavelmente uniforme. Receberam cartões amarelos Jorge Carrascal, Guillermo Varela e Bruno Henrique pelo Flamengo, além de Diego Tarzia e Caíque Gonçalves pelo Vitória.

Apesar das reclamações rubro-negras, não houve erro claro e manifesto capaz de alterar diretamente o resultado da partida.

Considerações Finais

A eliminação representa um golpe importante para o Flamengo na temporada. O clube perde uma competição considerada estratégica e volta a expor fragilidades já observadas em jogos recentes: baixa efetividade ofensiva, dificuldade contra defesas compactas e vulnerabilidade nas transições.

O desempenho coletivo também levanta questionamentos sobre o equilíbrio emocional e tático da equipe em partidas eliminatórias fora de casa.

Leonardo Jardim terá pressão crescente para corrigir especialmente:

  • a ocupação dos espaços ofensivos;
  • a recomposição defensiva;
  • a eficiência nas finalizações;
  • o funcionamento do meio-campo sem Arrascaeta e Pulgar.

Já o Vitória conquista uma classificação histórica e confirma evolução competitiva importante sob comando de Jair Ventura.

Próximos Desafios

O Flamengo agora volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro e para a Libertadores, competições que passam a ganhar peso ainda maior após a eliminação precoce na Copa do Brasil.

A tendência é de ajustes importantes na equipe titular, principalmente no setor de criação e na estrutura defensiva. A recuperação física de jogadores importantes também passa a ser prioridade.

O próximo compromisso do Flamengo será válido pelo Campeonato Brasileiro, fora de casa, em confronto que pode servir como resposta imediata após a frustração no Barradão.

Resumo do Jogo

Placar Final: Vitória 2 x 0 Flamengo

Agregado: Vitória 3 x 2 Flamengo

Data do Jogo: 14 de maio de 2026

Local: Barradão, Salvador (BA)

Público Pagante: 30.793 torcedores

Gols:

  • Erick, 7 min do 1º tempo
  • Luan Cândido, 16 min do 2º tempo

Assistências:

  • Baralhas para Erick
  • Erick participa diretamente da jogada do segundo gol

Posse de Bola:

  • Vitória 38%
  • Flamengo 62%

Finalizações:

  • Vitória: 6 (4 no gol)
  • Flamengo: 23 (8 no gol)

Cartões Amarelos:

  • Jorge Carrascal (Flamengo) — 1 min do 2º tempo
  • Guillermo Varela (Flamengo) — 34 min do 2º tempo
  • Diego Tarzia (Vitória) — 36 min do 2º tempo
  • Caíque Gonçalves (Vitória) — 46 min do 2º tempo
  • Bruno Henrique (Flamengo) — 48 min do 2º tempo

Escalação do Vitória:

  • Lucas Arcanjo;
  • Nathan Mendes;
  • Cacá;
  • Luan Cândido;
  • Ramon;
  • Baralhas;
  • Emmanuel Martínez;
  • Zé Vitor;
  • Erick;
  • Matheusinho;
  • Renê Sousa.

Técnico: Jair Ventura.

Escalação do Flamengo:

  • Agustín Rossi;
  • Emerson Royal;
  • Danilo;
  • Léo Pereira;
  • Alex Sandro;
  • Jorginho;
  • Evertton Araújo;
  • Jorge Carrascal;
  • Luiz Araújo;
  • Bruno Henrique (capitão);
  • Samuel Lino.

Técnico: Leonardo Jardim.

Substituições do Vitória:

  • Renato Kayzer ↔ Renê Sousa (28’/2T)
  • Marinho ↔ Erick (29’/2T)
  • Diego Tarzia ↔ Matheusinho (29’/2T)
  • Caíque Gonçalves ↔ Baralhas (42’/2T)
  • Edenílson Santos ↔ Emmanuel Martínez (51’/2T)

Substituições do Flamengo:

  • Pedro ↔ Jorge Carrascal (18’/2T)
  • Everton ↔ Luiz Araújo (17’/2T)
  • Guillermo Varela ↔ Alex Sandro (26’/2T)
  • Wallace Yan ↔ Samuel Lino (31’/2T)

Outros Eventos Significativos:

  • Cabeçada de Léo Pereira no travessão aos 33 min do 2º tempo;
  • Grandes defesas de Lucas Arcanjo em finalizações de Bruno Henrique;
  • Reclamações de pênaltis não marcados para Flamengo;
  • Vitória extremamente eficiente defensivamente;
  • Eliminação do Flamengo na quinta fase da Copa do Brasil.

Fontes consultadas:
GE Flamengo
Vavel Brasil
oGol Brasil
Wikipedia - Elenco do Flamengo

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