Por um triz o Flamengo não voltou da Ligga Arena com uma derrota que teria um sabor amargo de crise. Na noite fria deste domingo, 17 de maio de 2026, o Rubro-Negro empatou em 1 a 1 com o Athletico-PR, em partida válida pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time de Leonardo Jardim saiu atrás no placar, após um gol de Steven Mendoza no início do primeiro tempo, e só foi encontrar o caminho das redes já na reta final, com o faro de artilheiro de Pedro, aos 38 minutos da etapa complementar. O resultado, que parecia amargo com a expulsão de Danilo nos acréscimos, acabou sendo lucrativo diante de um Furacão que criou chances claras e acertou a trave em duas oportunidades. Com este empate, o Flamengo chega aos 31 pontos e segue na vice-liderança, mas vê a distância para o líder Palmeiras, que também empatou na rodada, permanecer nos mesmos cinco pontos.
Desempenho Individual: A Frieza de Pedro e as Noites para Esquecer
A atuação do Flamengo em Curitiba foi um mosaico de contrastes. No ataque, Pedro foi o nome da salvação. O camisa 9, mesmo isolado em muitos momentos, mostrou por que é um dos centroavantes mais letais do país. Com um único chute no gol, ele definiu a partida. Bruno
Henrique, que entrou no segundo tempo, deu nova dinâmica ao time e participou da jogada do gol, ao receber lançamento primoroso de Léo Pereira e cruzar na medida para o artilheiro.No meio-campo, a volta de Lucas Paquetá como titular era uma das grandes esperanças. O camisa 20 mostrou lampejos de sua qualidade com passes enfiados e boa visão de jogo, mas sofreu com a forte marcação adversária, a ponto de receber uma entrada duríssima de Felipinho que lhe causou dores e preocupação. Jorge Carrascal, que iniciou a partida e depois foi substituído, foi outro que tentou incendiar o jogo, mas pecou pelo excesso de individualidade em alguns lances e recebeu um cartão amarelo por uma falta desnecessária na defesa.
O setor defensivo, por outro lado, foi um misto de segurança e apagão. O zagueiro Léo Pereira, capitão do time na noite, fez uma partida sólida na proteção da área e foi dele o passe longo que originou o gol de empate. No entanto, a defesa sofreu com as jogadas em velocidade. Alex Sandro caiu de produção na marcação e foi facilmente superado no lance do gol paranaense. A pior notícia, contudo, veio de Danilo. O experiente zagueiro, que já havia sido advertido com um cartão amarelo aos 24 minutos da segunda etapa, foi expulso aos 46 minutos após cometer uma nova falta, complicando a reta final de um jogo que já estava sob controle.
Análise Tática: Um Meio-Campo Desequilibrado e a Teimosia de Jardim
O técnico Leonardo Jardim armou o Flamengo em um 4-3-3 que, na prática, se desenhava como um 4-1-4-1, com Saúl Ñíguez como o único volante de contenção à frente da zaga. A ideia era povoar o meio-campo com a qualidade de Paquetá e a mobilidade de Carrascal e Samuel Lino, municiando o centroavante Pedro.
A estratégia, porém, revelou uma fragilidade gritante: a transição defensiva. Sem a proteção de um segundo volante, a defesa rubro-negra ficou exposta aos contra-ataques em velocidade do Athletico-PR. O gol de Mendoza, logo aos 11 minutos, nasceu de um buraco na intermediária, com Léo Ortiz sendo driblado com facilidade e Alex Sandro dando espaço para o chute.
As substituições de Jardim mostraram uma tentativa de corrigir a rota. A entrada de Everton e Bruno Henrique no lugar de Samuel Lino e Saúl Ñíguez, respectivamente, aos 13 minutos do segundo tempo, deu mais agressividade ao time. A mudança que realmente surtiu efeito, porém, foi a entrada de Emerson Royal na lateral direita no lugar de Léo Ortiz, aos 36 minutos. Com ele, o time ganhou profundidade pela direita, desafogando o lado esquerdo onde Bruno Henrique e Ayrton Lucas (que entrou depois) passaram a tabelar com mais precisão.
Já o técnico Odair Hellmann, do Athletico-PR, foi pragmático. Ele armou uma equipe compactada no campo de defesa e apostou na velocidade de Mendoza e Kevin Viveros nos contra-ataques. O Furacão foi cirúrgico e, mesmo com menor posse de bola (36% contra 64% do Flamengo, segundo dados do Flashscore), teve as melhores chances, incluindo duas bolas no travessão na segunda etapa. A expulsão de Danilo, no fim, permitiu ao time da casa uma pressão final que, felizmente, não se converteu em gol.
Arbitragem: Klein Compensa a Ausência do VAR em Noite Polêmica
A atuação do árbitro Rafael Rodrigo Klein, auxiliado por Emerson de Almeida Ferreira no comando do VAR, foi, no mínimo, contestável e será lembrada por dois lances capitais.
O primeiro foi a entrada criminosa de Felipinho em Lucas Paquetá ainda no primeiro tempo. Com as travas da chuteira, o jogador do Athletico-PR acertou a canela do meia rubro-negro. A falta foi dura, mas Klein puniu o lance apenas com cartão amarelo. Os jogadores do Flamengo, revoltados, pediam a expulsão, entendendo que houve uso de força excessiva. O VAR, silenciosamente, corroborou a decisão de campo.
O segundo, e mais impactante, foi a expulsão de Danilo. Aos 46 minutos da etapa final, o zagueiro recebeu o segundo cartão amarelo após uma falta em Kevin Viveros no campo de ataque. Se o lance foi claramente para cartão, a dúvida permanece sobre a consistência do critério. Por que a violência de Felipinho foi punida com amarelo e uma falta tática de Danilo, a léguas do gol de Rossi, teve o mesmo peso? A sensação que fica é a de que a arbitragem pesou a mão em um lance e aliviou em outro, prejudicando o equilíbrio disciplinar da partida.
Considerações Finais: Um Ponto que Alivia, mas Preocupa
O empate por 1 a 1 em Curitiba tem sabor agridoce para a Nação. Por um lado, o Flamengo jogou em um dos estádios mais difíceis do campeonato, contra um adversário direto na briga pelo G-4, e conseguiu buscar um resultado que parecia perdido, demonstrando poder de reação. Por outro, a atuação evidenciou que a equipe de Leonardo Jardim ainda está longe de apresentar um futebol convincente e consistente.
Com o resultado, o Flamengo chega aos 31 pontos e permanece na segunda colocação do Brasileirão. A distância para o líder Palmeiras, no entanto, continua sendo de 5 pontos, e a equipe não pode se dar ao luxo de tropeçar mais, sobretudo em jogos fora de casa. A lição que fica de Curitiba é clara: o sistema defensivo, especialmente a proteção à zaga, precisa ser revisto com urgência. A expulsão de Danilo, por sua vez, acende um alerta para a sequência da temporada, desfalcando um setor já desgastado.
Próximos Desafios: Hora de Mostrar a Força do Maracanã
O Flamengo agora volta suas forças para o Campeonato Brasileiro, onde terá uma sequência de jogos importantíssima. O próximo compromisso será contra o Bahia, no próximo domingo, 24 de maio, às 18h30 (horário de Brasília), no icônico Estádio do Maracanã.
Com o apoio massivo de sua torcida, a expectativa é que o time de Leonardo Jardim retome o caminho das vitórias. Para isso, o treinador precisará encontrar um substituto à altura para Danilo, que cumprirá suspensão automática, e ajustar o meio-campo para dar mais solidez defensiva sem perder o poder de criação. A volta da boa fase de Paquetá e a sequência de Bruno Henrique como titular são os trunfos para fazer o Maraca, mais uma vez, tremer.
📊 Resumo do Jogo
Placar Final: Athletico-PR 1 x 1 Flamengo
Data do Jogo: 17 de maio de 2026, domingo
Local: Estádio Ligga Arena (Arena da Baixada), em Curitiba (PR)
Gols: Steven Mendoza (10' 1T) para o Athletico-PR; Pedro (38' 2T) para o Flamengo.
Assistências: Bruno Henrique para o gol de Pedro.
Posse de Bola: Athletico-PR 36% x 64% Flamengo.
Chutes (total/no gol): Athletico-PR 18/5 x 12/3 Flamengo.
Cartões Amarelos: Jorge Carrascal (24' 1T), Felipinho (39' 1T), Odair Hellmann (49' 1T), Danilo (24' 2T), Jádson (10' 2T).
Cartões Vermelhos: Danilo (46' 2T).
Escalações:
Athletico-PR (Técnico: Odair Hellmann): Santos; Gastón Benavídez, Arthur Dias, Juan Aguirre, Lucas Esquivel (Gilberto, 20'/2T); Felipinho (Renan Peixoto, 49'/2T), Jádson, Bruno Zapelli (João Cruz, 19'/2T); Steven Mendoza, Léo Derik (Claudinho, 27'/1T), Kevin Viveros.
Flamengo (Técnico: Leonardo Jardim): Agustín Rossi; Guillermo Varela, Danilo, Léo Pereira (Capitão), Alex Sandro; Saúl Ñíguez (Bruno Henrique, 13'/2T), Léo Ortiz (Emerson Royal, 36'/2T), Lucas Paquetá; Jorge Carrascal (Ayrton Lucas, 47'/2T), Samuel Lino (Everton, 13'/2T), Pedro.
Público Pagante: 34.197 torcedores.
Renda: Informação não divulgada oficialmente até o fechamento desta edição.
Outros Eventos Significativos: Aos 41 minutos do primeiro tempo, os jogadores do Flamengo pediram a expulsão de Felipinho, que recebeu apenas cartão amarelo. O lance foi revisado pelo VAR, que manteve a decisão de campo. Aos 49 minutos da primeira etapa, o técnico Odair Hellmann recebeu cartão amarelo por reclamação.
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